Worldmaking and the economy of desire in Rio 2016

In March 2019, I delivered a keynote presentation at the SP Mobilities Conference 2019 at Sao Paolo University. Below is a video of my presentation and the abstract (in English and in Portuguese).

Presentation

Abstract

English-language version (please scroll down for the Portuguese-language version of the abstract)

Cities partake in selection competitions for the Olympic Games in their desire to be included in an international community of nations upholding a set of ‘universal values’. They promise to promote these values through the impeccable organization of the mega-event, in an ordered, safe and hospitable manner. Such ‘scripts’ can be followed with some degree of precision, but the precision itself comes at a cost.

This is what the Cidade Maravilhosa, a city of phantasmagoric postcolonial mobilities, discovered during one of the most challenging projects it undertook in its modern history. The Rio 2016 ‘project’ proved a double-edged sword, cutting the city both at the end of discipline and punishment and that of self-fulfilment through art-making and tourist worldmaking. With every change introduced to its fabric to produce a universally acceptable profile, new sociocultural problems emerged or old ones were exacerbated, withering its ‘marvelousness’ for the sake of conforming to the demands of hospitality. Today, intellectual, academic and political critics of this persistence to host the Olympics continue to perform post-mortem examinations on Rio de Janeiro’s wounded cultural and social spheres, whereas its citizens continue to clean the bloodbath of violence caused by the mega-event’s ‘pacifications’.

In this presentation I outline the ways in which we can approach the economic, political and cultural cost of securing a ‘passport’ to the mega-event’s amplified global mobilities of tourism, professional migration and technology. I provide you with two scenarios. First, I argue that for Rio the cost was double: not only did the passport posit serious challenges and obstacles to the city’s field of justice, it also invited the ‘scientisation’ of its carioca uniqueness, thus reducing it into a spectacle to be enjoyed ‘from afar’. The two costs are interdependent and point to Rio’s (in)ability to protect its freedom in late capitalism. The second scenario is contentious for its optimism. I claim that there are also voices of hope articulated within these stringent structures of international, national and regional regulation, which point to alternative vistas of a brighter future. To explore conflicting forces within this desire to make better worlds for cariocas and their guests, I dig a bit deeper into the cultural poetics of Rio 2016. This poetics supersedes politics and can be potentially liberating.


Worldmaking e a economia do desejo no Rio 2016

Resumo

As cidades compete para sediar Jogos Olímpicos em um desejo de serem incluídas em uma comunidade internacional de nações que mantêm um conjunto de “valores universais”. Prometem promover esses valores através da organização impecável do megaevento, de maneira ordenada, segura e hospitaleira. Esses “scripts” podem ser seguidos com algum grau de precisão, mas a precisão em si tem um custo.

Isto é o que a Citade Maravilhosa, uma cidade de mobilidades pós-coloniais fantasmagóricas, descobriu durante um dos projetos mais desafiadores que empreendeu em sua história moderna. O “projeto” Rio 2016 provou ser uma faca de dois gumes, cortando a cidade tanto pelo lado da disciplina e da punição, quanto pelo da auto-realização através da arte e da projeção turística global. Com cada mudança introduzida em seu tecido para produzir um perfil universalmente aceitável, novos problemas socioculturais surgiram ou os antigos foram exacerbados, definhando sua “maravilha” em prol das exigências da hospitalidade. Hoje, críticos intelectuais, acadêmicos e políticos dessa persistência para sediar as Olimpíadas continuam realizando exames post-mortem nas esferas culturais e sociais feridas do Rio de Janeiro, enquanto seus cidadãos continuam limpando o banho de sangue da violência causada pelas “pacificações” do megaevento.

Nesta apresentação, descrevo as maneiras pelas quais podemos abordar o custo econômico, político e cultural da obtenção de um “passaporte” para as mobilidades globais amplificadas de turismo, migração profissional e tecnologia do megaevento. Eu forneço dois cenários. Primeiro, defendo que para o Rio o custo foi duplo: o passaporte não só colocou sérios desafios e obstáculos ao campo da justiça da cidade, como também convidou a ‘cientificização’ de sua singularidade carioca, reduzindo-o a um espetáculo a ser desfrutado ‘de longe’. Os dois custos são interdependentes e apontam para a (in)capacidade do Rio em proteger sua liberdade no capitalismo tardio. O segundo cenário é controverso por seu otimismo. Afirmo que também existem vozes de esperança articuladas dentro dessas estruturas rígidas de regulação internacional, nacional e regional, que apontam para olhares alternativos de um futuro mais brilhante. Para explorar as forças conflitantes dentro desse desejo de criar mundos melhores para os cariocas e seus convidados, eu me aprofundo nas poéticas culturais do Rio 2016. Essa poética supera a política e pode ser potencialmente libertadora.